São bastantes os locais por onde já parei, todos eles deixando boas recordações e amigos para a vida. Com início em Coimbra, seguiu-se a Lageosa do Mondego, a Ratoeira, Celorico da Beira (com a Guarda pelo meio), Trancoso, (de volta a) Coimbra, Figueira da Foz, Granada, terminando...ou não...de retorno a Coimbra e à Figueira.
Foram bons os anos que se passaram na Lageosa do Mondego, aldeia grande onde se fizeram amizades que ainda hoje permanecem e das quais me orgulho bastante. Eram tempos diferentes onde as brincadeiras eram na rua e o cheiro a liberdade era totalmente verdadeiro e puro.
Seguiu-se a escolinha da Ratoeira, cuja maioria dos coleguinhas divergiu quebrando o contacto de praticamente todos após quatro anos de aulas e intervalos a jogar aos cantinhos, ao mata e a descascar castanhas da árvore da escola. Felizmente a tecnologia tem avançado a passos largos (nalguns pontos não é vantajoso, mas isso ficará para outro post) e o Hi5 permitiu reencontrar algumas destas pessoas. É sempre bom rever caras que nos ajudaram de alguma maneira a ser aquilo que hoje somos.
Entretanto outras pessoas conheci que não se encaixam em nenhuma destas localizações, mas encaixam-se em todas. Cresci bastante com elas e aos poucos vamos-nos reencontrando. Quando tal não acontece não há que ficar triste ... foi bom e daí só há que sorrir e agradecer por isso.
Celorico da Beira...bons tempos. Com alguns amigos da Lageosa e da Ratoeira, aumentou-se o leque e criou-se um grupinho porreiro. Foram horas de almoço passadas a jogar voley, a ir para casa da Tininha ver os gatinhos ou a fazer companhia à Patrícia no quiosque. Nasceram aqui alguns amores que permanecem até hoje e que perdurarão, outros amores de adolescência que se desvaneceram restando apenas a recordação. Algumas pessoas mantêm o contacto, outras recordam-se com um sorriso.
Ao chegar a Trancoso, sem conhecer ninguém, surpreendo-me actualmente como foi tão fácil começar a conviver com os amigos de hoje. Época melhor? É complicado. Gente que ainda hoje, por muito pouco que se comunique, se sente pertencente de um grupinho imortal. É assim que eu o sinto e espero que por muitos e muitos anos se continue a realizar o fantástico jantar de Verão, aquele que nos permite partilhar as novidades da nova vida e fazer parte da actual vida de cada um. Cada um preenche um lugarzinho na minha vida e sempre assim há-de ser.
Chegando a Coimbra, depois de muita lágrima e solidão, encontrei-me com a antropologia. Nela consegui encontrar de novo o sorriso. Novas pessoas pularam o cadeado e não saíram mais, com ajuda do único amigo (avião) que vinha de trás. Coimbra tornou-se um modo de vida e aqui percebi o significado da vida e do espírito académico. O leque de experiências aumentou e a independência chegou. As asinhas nascidas em Trancoso, cresceram em Coimbra. As aulas com cada professor (cada um deles com o seu "quê" especial), os jantares, as suavíssimas praxes (de função única e exclusivamente social), os jantares, os brindes (não em exagero), as sessões fotográficas, os cafés, os capuchinos durante as noites de trabalho na antropocasa, o nascimento do amor, todos os acontecimentos fizeram com que as serenatas ao luar ganhassem sentido e Coimbra recebesse todo o encanto na hora da despedida.
Com a ajuda e companhia do meu "mais-que-tudo", Granada foi uma paragem de curta duração, no entanto permitiu-me conhecer pessoas fantásticas e verificar que há vida fora do nosso país. Pessoas a quem em condições Portuguesas veria, não como inalcançáveis, mas num patamar superior, em Espanha são como tu e eu (uns mais iguais que outros, mas com a mesma base). Amizades de todas as idades, postos e nacionalidades cresceram. Quer alunos ou professores, dos 22 aos 60 anos, de Granada, Barcelona, Sevilla, Tenerife, Finlândia, Itália, Colômbia, Argentina, Brasil, todos no máximo de convívio. A estadia terminou, mas o contacto mantém-se. Enriqueci em espírito e em conhecimento. Guardo-os comigo no meu portuñol internacional.
Vivemos todos os momentos ao máximo sem nos darmos conta de tal. No entanto, quando os momentos terminam e nos vemos sem a possibilidade de os retomar, levamos com um balde de água fria e o chão desaparece. Felizmente os amigos permanecem e, embora não se possam viver os mesmo momentos, podemos viver outros diferentes, olhar para trás e sorrir. Passámos por tudo aquilo, somos vencedores. Vencedores de momentos, experiências, amores e amigos. Se não deixarmos, ninguém nos tira isto.
Obrigada a todos os que fazem parte do meu passado, presente e futuro.